domingo, 21 de agosto de 2011

21 DE AGOSTO: DIA DAS RELIGIOSAS
ENTREVISTA EXCLUSIVA COM IRMÃ ANA TEREZA


Hoje é o Dia das Religiosas e, para entendermos melhor como se dá a vida das mulheres que seguem essa vocação, as integrantes (Soraya Roberta e Gisliany Alves) do Grupo de Jovens Cristiforme realizaram uma entrevista exclusiva com a Irmã Ana Tereza. Confira, a seguir, a entrevista na íntegra:

Quando e por que a senhora escolheu seguir essa vocação?
Quando e por que... Eu tinha meus 24 anos e foi quando, mesmo tendo duas tias religiosas, eu conheci a vocação mais de perto, porque fui estudar no nosso colégio em Maceió. E lá, conheci melhor a vida das religiosas, das irmãs... Fiquei atraída por tudo que vi lá e, de modo particular, pela pessoa de Jesus Cristo, que as irmãs passaram para mim.

 Houve alguma influência para que a senhora tomasse essa decisão?
Eu acredito que não houve, tanto assim, influência, mas, com certeza, essa minha ida para o nosso colégio, em que passei um ano só, contribuiu muito. Eu acredito que essa vivência com as irmãs, que eu não só ficava lá durante a noite (que era o horário dos meus estudos), mas também eu procurei sempre estar por lá pela manhã, à tarde, rezar com as irmãs, conversar com elas...

Durante a sua caminhada religiosa, a senhora já presenciou algum fato que lhe marcou?
Muitos fatos (a gente presencia), principalmente, de irmãs muito consideradas, por mim, muito santas... A vida delas, o testemunho dessas irmãs, o seu sacrifício... Então o que mais me marcou na vida foi o testemunho, o sacrifício dessas irmãs, mostrando o valor da vida religiosa, da renúncia e mesmo, do sofrimento quando é um benefício para o crescimento. Essas irmãs me deram um grande testemunho e isso foi o que mais me tocou.

E quanto às tentações? Como lida com elas?
As tentações do ser humano são muitas. Disso você não tenha dúvida. Onde tem ser humano, tem tentações. Mas, se a gente sabe também, que temos Jesus dentro de nós, a gente sabe que tem uma força maior que as tentações. Então é fácil quando a gente tem o Senhor do nosso lado. É fácil a gente saber lidar com elas.
Agora, tentações, com certeza, eu acredito que todos têm. Pode ser religiosa, pode ser o sacerdote e até o Santo Padre. Então ninguém pode fugir, mas o nosso Senhor não deixa a gente cair nessas tentações.

Em algum momento da sua jornada, pensou em desistir?
Às vezes, parece que a coisa está muito grande, muito forte, parece que você não consegue... Mas não chego nem a querer desistir, porque sempre encontro pessoas que me estimulam. Dizendo que é assim mesmo, que eu vou vencer... E a gente vence mesmo. Eu sempre encontrei pessoas que, nas horas mais difíceis da minha vida, me estimularam a continuar e, graças a Deus, é por isso que eu estou até hoje na vida religiosa.

 Nós, católicos apostólicos romanos, geralmente memorizamos orações, tornando-as algo mecânico. Entretanto, segundo a Bíblia, as orações devem ser espontâneas. Como a senhora explica esse tipo de situação?
É verdade. As orações mecânicas, elas ficam só na mente, não descem ao coração. Por isso, eu sempre aconselho. Eu estou com dois jovens, preparando-os para o Batismo e para a Primeira Eucaristia e eu tenho ensinado a eles a fazer a Lectio Divina, porque a Lectio Divina é uma oração que não é só mecânica. Você faz daquela oração, uma oração sua. Você penetra ali também, nos fatos. Você caminha com Jesus. Conforme a Leitura Bíblica que você esteja fazendo, você pode estar ali, dentro daquele fato. E é bem mais fácil de você trazer a oração para a sua vida fazendo isso, do que rezando só mecanicamente. E, por isso, que eu ensino muito para eles a fazer isso, pois, fazendo assim durante todo o dia, eles estão lembrando daquela cena, daquele propósito que eles têm e de tudo que acontece. E,assim, conseguem colocar Jesus no dia-a-dia, na sua vida.

Por que a maioria dos católicos se acostumam a orar mecanicamente?
Porque, infelizmente, foram ensinados assim. A gente sabe que a Igreja Católica também tem suas falhas, a gente não pode, de jeito nenhum, negar. Mas eu acho que hoje já melhorou tanto... Eu vejo o meu tempo, o tempo em que eu me crismei... Eu não tive formação nenhuma. Simplesmente, o Bispo apareceu, eu já tinha idade e vamos aproveitar que o Bispo tá aí e vamos crismar... E hoje a formação que se dá aos jovens é uma formação muito mais rica e eu acredito que com a continuação desse trabalho, cada vez vai ser melhor. E a gente sente que melhora, pois se a gente tem uma formação diferente, claro que a gente caminha diferente.

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